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domingo, 31 de julho de 2016

EU SOU MALALA - Malala Yousafzai com Christina Lamb

Eu sou Malala
"Quando o Talibã tomou o controle do Vale do Swat, uma menina levantou a voz.

Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou por seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012 ela quase pagou por isso com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus enquanto voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.

A recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para os salões das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e em 2014 tornou-se a mais jovem vencedora da história do prêmio Nobel da paz"

Este é o texto da contra-capa do livro. Por si só ele chama a atenção para a história que vai ser contada, centralizada na adolescente chamada Malala. Mas o conteúdo do livro nos revela muito mais que uma história de sobrevivência. Nos revela sobre diferenças culturais e crenças religiosas radicais tão fortes que estão presentes nesse complexo século XXI e que assustam o mundo.

O livro nos apresenta, a partir da história de Malala, um panorama histórico-cultural-político do mundo muçulmano, cercado de conflitos sangrentos. Pelos olhos de Malala e da jornalista Christina Lam, vemos versões sobre acontecimentos que chocaram o mundo, como o 11 de setembro, o assassinato de Banzir Bhutto, as atrocidades do Talibã, a morte de Osama Bin Laden e os acidentes naturais da região do Paquistão.

Vou comentar alguns pontos que me chamaram a atenção durante a leitura:

1. O nome Malala.
O livro ganha um tom de "premunição" quando ela conta o significado do seu nome. Uma homenagem a uma heroínas das histórias do seu país, uma menina que inspirara os homens a lutarem e morre em batalha. Ela também conta que várias escolas recebem o nome dessa heroína - Malalai, "a Joana d´Arc dos pachtuns" (a região onde nasceu Malala).


2. O pai de Malala.
Durante boa parte parece ser sobre ele que o livro trata, tanto é o destaque dado. Ele é o articulador, é quem educa, quem instiga, inspira, constrói, dá voz à Malala. Toda a primeira parte do livro é direcionada ao papel do pai na vida de Malala. Compreensível, pois trata-se de uma sociedade onde os homens tem papel principal.

3. A consciência política de Malala.
Algo que o livro vai mostrando aos poucos. Malala cresce em um ambiente de discussões políticas, uma vez que seu pai é articulador político na comunidade em que mora. Ela está presente às discussões, seu pai lhe conta sobre os conflitos, ela o vê lutando pelo que considera correto. E ela estuda e lê muito. Além de ser incentivada a ter pensamentos próprios, a questionar as coisas. Começa a dar entrevistas sobre o direito de estudar aos 11 anos, período em que também começou a contar para a BBC, sobre a vida no Swatt, invadida pelo Talibã, através de um Diário que era publicado com um pseudônimo.

4. A cultura afegã.
Pela descrição de Malala, vê-se o ambiente de conflitos, mas também o cotidiano de uma cultura completamente diferente da nossa. As descobertas a cada página são riquíssimas, porque nos ajuda a pensar e repensar sobre como as leis são criadas, como os costumes são inventados e como e até que ponto pode ir o radicalismo em uma cultura pautada pela religião. Há muitas características que diferenciam os afegãos. Mas quando vemos pela tv sobre os conflitos, lemos como um grande bloco. Mas não é assim. É especialmente esclarecedor, ler através de Malala, sobre como o Talibã chegou ao vale em que morava e quais as consequências para seu povo.

5. A mulher afegã.
Um dos pontos mais ricos do livro, no contexto da cultura, é ver qual o espaço e o papel da mulher na cultura afegã e para o Talibã. Ler sobe a mulher afegã é refletir também sobre os direitos de todas as mulheres em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil. É pensar que muitos direitos ainda precisam ser conquistados e que precisamos ficar atentos para que outros tantos não nos sejam retirados.

Do que fica da leitura, uma grande preocupação sobre a situação atual do Brasil em meio a essa crise, a bancada política, as manifestações, a nossa condição de cultura plural. Em muitas passagens do livro, parecia-me anúncios do que pode acontecer também aqui. Preocupante!

Mas Malala continua lutando pela educação, porque considera essa a maior arma. As palavras têm poder. O direito à educação precisa ser partilhado por todos. E isso significa uma educação crítica, que forme cidadãos pensantes e que queiram mudar o mundo. E como professora, eu acredito nessa mudança. 

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