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domingo, 22 de maio de 2016

ELEANOR & PARK - Rainbow Rowell

Eleanor & Park

Ah, o primeiro amor!
A história de Eleanor & Park, nos leva de volta aos tempos de escola, as amizades e inimizades, as descobertas de mundo que vão nos acompanhar durante toda a vida e o primeiro amor. Quem lembra? Quem esquece? Do primeiro beijo, do primeiro amasso escondido, dos primeiros desejos e das primeiras noites mal dormidas pensando em alguém, do primeiro amor?

Esse livro tem esse tom. Um livro leve, gostoso de ler, que emociona e nos faz viajar para um tempo em que as descobertas tinham outro sabor. Esse sabor que vamos perdendo com os tropeços e a aceleração de tudo. Quem se dá conta, na vida adulta, do brilho dos olhos do seu amado ao vê-lo? Ou toca a sua mão como se fosse a coisa mais preciosa do mundo? Ou abraça como se não restasse mais nada a fazer?

O livro foi publicado originalmente em 2013 e esta edição em português é de 2014. Ao todo são 326 páginas. O romance se passa na segunda metade dos anos 1980. Quem viveu essa época vai reconhecer bem a trilha sonora , se for uma aficcionado por música norte-americana, pois os personagens curtem muito as bandas de rock.

Os dois personagens tem 16 anos, famílias diferentes, comportamentos diferentes, mas encontram afinidades em muitas coisas. A Eleanor lembra Isabel, de Pedro Bandeira em A Marca de Uma Lágrima. O complexo de se sentir acima do peso aceito pela sociedade. Num momento de afirmação de identidade isso pesa tanto para os adolescentes. E Park, com seus conflitos de aceitação com o pai. São tantos os conflitos nessa fase da vida, que vão deixando a escola cada vez mais sem saber como lidar com isso. Não que tenha que cuidar das situações exteriores à escola, como os problemas familiares, mas porque ainda não consegue ligar com as situações internas, hoje chamados de bullyng, por exemplo.

A autora traz isso, os conflitos pessoais de construção e reafirmação da identidade, os conflitos familiares, os conflitos na escola. O romance tem todo esse pano de fundo. Sem contar com a paisagem de parte da vida norte-americana de subúrbio. É uma forma de conhecer outra cultura e outros comportamentos. A forma de se vestir é uma das principais características apresentadas para Eleanor, como marca da sua personalidade. A roupa tem essa função. Nos vestimos para nos mostrar ao mundo ou para nos esconder dele. Dizemos o que somos pelo que vestimos. Estudos sobre a história social da moda dão conta dessas reflexões.

Mas o que me conquistou no livro não foram as reflexões racionais. Foram as emoções. O livro me arrebatou. Foi lido em um final de semana. Eu torci do começo ao fim pelo amor dos dois. Gostei como a autora terminou, nos dando chance de sonhar com uma "parte 2, o retorno de Eleanor & Park". E ao mesmo tempo em que lia, reavivava em mim a memória dos meus amores, dos encontros que me deixaram com um frio na barriga, de quem me deixou noites sem dormir e das vezes em que esse sentimento foi correspondido. A sensação é que vamos perdendo isso em meio ao acúmulo desnecessário da vida prática. Parece que hoje não há mais tempo para viver cada segundo e saborear essas descobertas.

Que bom que temos os livros para nos lembrar de tanta coisa que vamos deixando pelo meio do caminho. Como o primeiro amor e todos os amores que nos fazem sentir como se fosse a primeira vez. Aos que estão nessa fase tão linda da vida, o livro ajuda a pensar nas histórias com um toque de realidade e encantamento. Àqueles que são adultos e são românticos e ainda guardam essa chama em si, podem ler para senti-la mais forte, alimentá-la. E aos que desistiram, pensem no livro como um "tempo roubado" para pensar no amor.



29

eleanor

Quando ela viu Park no ponto de ônibus, na manhã da segunda, caiu no riso. Verdade; riu feito personagem de desenho animado... quando ficam com as bochechas vermelhas, e coraçõezinhos começam a pipocar de dentro dos ouvidos...
Foi ridículo.

park

Quando viu Eleanor vindo até ele na segunda de manhã, Park quis correr até ela e tomá-la nos braços. Como um daqueles caras das novelas a que a mãe dele assistia. Ele apoiou as mãos nas alças da mochila para se conter...
Foi meio que maravilhoso.

(página 171, depois do primeiro beijo)

2 comentários:

  1. Estou adorando acompanhar seu desafio literário, seus comentários me instigam a vontade de ler também esses livros... Hoje, quando vi que você citou o livro " A Marca de uma lágrima" um grande sorriso se abriu em minha face ao lembrar que esse foi meu livro preferido na adolescência, li uma 5 vezes e até hoje tenho ele guardado.
    Grata por me fazer lembrar do como me sentia ao ler aquele livro, dos sonhos de menina, dos amores platônicos, dos amores correspondidos... Sentir uma grande vontade de reencontrar a Isabel de Pedro Bandeira, o que será que ela tem a me dizer agora, depois de tanto tempo????
    Bjos

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    1. Rosas, que maravilha saber que você está acompanhando e curtindo o desafio e retornando aos seus antigos amores literários. Muito bom saber que as postagens instigam novas leituras! Continue acompanhando...

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